segunda-feira, 18 de abril de 2011

Há lá de cá

Estranho garoto esse que ninguém consegue ouvir a voz. Talvez ele tenha problemas sérios, ela disse, mas o resto das pessoas já sabiam que nada mais havia dentro daqueles profundos olhos cinzentos. A sua mochila era pesada e cheirava, cheirava a todas as suas experiências até ali, tinha atravessado a si mesmo durante noites a fio, estava agora a beira do rio negro que grudava suas juntas.

Cheio de promessas e lembranças ele simplesmente não era mais a peça que costumava ser, mais uma noite e pode ser que não se lembrem mais dele. Ele se chamava por um nome que ninguém pudesse achar que estava escrevendo sua própria história. Ele os odiava, mas precisava do ódio pra sentir-se vivo. Ele não tinha coragem.

Que estranho garoto aquele ali sentado, parado, mudo, quieto, os olhos não negam, ele já se foi há muito tempo.

sábado, 16 de abril de 2011

Soltar todas as amarras

E é à mim que você recorre agora? Agora que você acha que eu ainda estou aqui? Sou eu que devo ir ou não? Não sinto nenhuma árvore ao meu redor. As substâncias que queimaram não serviram de conforto. É agora? Eu deveria mesmo tentar entender tudo isso, ou simplesmente ignorar? Guie-me.

Eu volto quando tudo estiver pronto, não se preocupe, o que você acha que é fim, pode não sê-lo.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mais uma moldura, menos um quadro

Mais alguém com uma desculpa qualquer, que vai fingir vir aqui, fingir entender e depois vai sair. Vai inspirar o meu pulmão, mas quando expirar vai me derrubar no chão sem ar. Mais uma vez a verdade me escapa. Eu sonho o dia em que vou ouvir de verdade o que vocês pensam.

Queria muito não ter deveres antes mesmo de eu ter nascido. Obrigado, volto a ser uma aberração.



Seus pensamentos começam a sangrar.

domingo, 10 de abril de 2011

Olhos quietos, calma aparente, sorriso de cabeça baixa

Se você já previu o que vai acontecer amanhã, então a notícia não é boa. Sei que o que a gente quer é só prazer, mas a dor persegue ao passo que o prazer foge. Veja só você como é estranho não ver sentido em absolutamente nada. Veja só como é fácil uma semana se passar e tudo que deveria ser concreto, virar abstrato. Não existem valores.

Acordei e procurei sentir a diferença do dia de hoje. Seria bom voltar a ser centro do universo, eu pensei, abri a porta e vi que eu estava ali. Mas por que então eu não senti diferença? É uma dessas coisas que não adianta você fugir no espaço nem no tempo, está tudo dentro de você mesmo. E eu procurei você por todos os meus cantos, infelizmente eu não encontrei, não onde eu deveria ter encontrado. Eu procurei todos vocês e percebi que não deveria fazer isso.

Tentei dormir de novo, mas meu corpo me falava o que minha mente não queria ouvir. Eu nunca mais vou te ver. Coisas que eu deveria ter feito, coisas que eu não deveria ter feito.

terça-feira, 29 de março de 2011

Sua alma

Não há como controlar quando olho. Na verdade seria bom se sentir assim todos os dias, inocente e despreocupado, mesmo enquanto o mundo todo chove ao seu redor. Existe mais que o seu dia começando tarde ou cedo demais, existe mais do que você acha que não conhece, existe muito mais do que os seus olhos, pequenos, miúdos, bonitos e belos que me fitam e tentam descobrir se eu sou quem digo que sou.

Quando para-se por um pequeno instante de questionar, as coisas entram mais em linha. Sabe o que é bonito nisso tudo? Que você nunca escolhe, simplesmente acontece, como se o acaso te escolhesse, te escolhesse pra colocar lá, muito embora essa paz momentânea produzida pela sensação de te ver na minha imaginação ao som de uma música tranquila seja como o pó que não resiste ao mínimo de perturbação. Pudera eu arrancar você de dentro dessa ostra.

Excepcionalmente hoje eu poderia e faria o que fosse preciso pra ver a verdade. Excepcionalmente hoje, você me conheceria. Excepcionalmente hoje eu roubaria você do fundo do mar por uma madrugada qualquer, sairia a estalar as estrelas, contar as canções, fumar as flores e sentir o seu cheiro, não o seu perfume, mas o seu cheiro. Hoje eu estou em paz no meio da confusão de mim mesmo. Hoje eu não tentaria, hoje eu simplesmente acreditaria.

A quem mais ainda tenta extrair do nada o ouro que eu vejo na sua alma.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Um dia

Olha só como é. Um dia você ainda cansa. Um dia ainda aprende. Um dia ainda anota todas as lições e simplesmente não se move mais. Um dia você não vai mais nem acordar. Um dia você não vai entender porque a tendência só vai pra onde você não quer. Um dia você vai chegar a mim. Um dia vai ser um dia. Um dia você vai ter coragem de falar.

segunda-feira, 21 de março de 2011

O poder de ler mentes

Escrevo aqui e agora no auge de toda essa farsa, desses sorrisos que nunca foram roubados e simplesmente oferecidos. Como os sorrisos terminam? Como eles acabam? Não é possível algo bonito terminar de uma forma bela também. Os sorrisos acabam, o que é belo acaba e você acabou de ignorar esse fato simplesmente porque sua cabeça assentiu. Sinto o mundo se distanciar cada vez mais enquanto meus pés estão aqui no chão. E eu continuo a falar pra ninguém.

Por que você está sorrindo? O que vocês estão falando? Como vocês conseguem? Por que? Eu posso morrer, desaparecer, surpreender ou viver? Qual será a nova síndrome que você vai me atribuir, obrigado, e até mais.

Meu sangue não é azul. Sinto muito, meu sangue não tem cor. Meu sangue é negro, ele se perde, sem força na água que é o seu universo.

Prefiro que você leia a minha mente à ter que ler a sua.