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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

O lago.

- Combinado então amanhã?
- Ok amigo, aparece as 15:00 então.
- Até amanhã
- Até

Ele está parado agora vendo seu amigo entrar num carro com as portas pretas. Está quase anoitecendo. As luzes traseiras são vermelhas e parecem mais fortes a cada passo que o entardecer se torna anoitecer. Ele vira a sua cabeça para o outro lado, arruma as suas coisas, a bolsa está bem mais leve hoje, segue pelo mesmo caminho do carro, porém andando e vendo o carro desaparecer na direção da rua aos poucos. Ele olha para os pés calçados e então vem a sua cabeça vários e vários pensamentos, ele pensa consigo mesmo:
- É.. parece que mais uma vez esse caminho vai ser feito.

Sua mente está tão parada, tão entediada de tudo. Ele tem pensado ultimamente com tanta frequência sobre o passado que acabou de perceber que tem vivido por lembranças passadas. Como se a vida dele tivesse estacionado, e todas as atrações atuais não passassem de apenas repetições de números antes apresentados e que pensara ele ter se livrado. Suas pernas estão cansadas, não tanto quanto suas emoções. Ele está quase chegando em casa.

Chegou. Abre a porta, fecha a porta. Segue em direção ao seu quarto. Deita-se. Sonha. No seu sonho ele está flutuando sobre a sua cama e sob seu corpo passam águas de um mar frio e veloz, enquanto ele ouve o som dos passáros, seus cabelos estão maiores, suas roupas estão em maior número. Ele desperta, ainda no sonho. Suado. Levanta. Se senta. Começa a passar a mão na sua cabeça e percebe estar num lago. Ele pensa e pensa, mas a única conclusão que chega é que está tudo como um lago. Tudo parado. O mar que antes costumava a carregá-lo agora o fez desaguar nesse lago, obscuro, frio, parado. Ele olha para os lados na esperança de encontrar algum barco. Mais algumas olhadas ao horizonte, ele enxerga terra. Tenta nadar, mas em vão. Então desiste, inerte, parado, olhando para os lados na esperança de que alguém pule no lago e segure sua mão até um lugar seguro. Ele flutua, espera.. espera.. espera..

"Sabe, alguém me disse que o mundo é um palco
E cada um deve atuar o seu papel.."

Esses foram um dos últimos versos que ele ouviu até adormecer mais uma vez.

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Inocência.

Aah.. a saudade é um sentimento realmente complexo de se sentir. O porquê? É que as vezes nós realmente queremos sentir saudades, as vezes nós gostamos daquela sensação de sentir falta porque nós sabemos que ela vai ser suprida, será "matada", o grande ponto é quando sentimos a saudade que não deveríamos, a saudade que o único caminho de se suprir é o conformar-se, quando nós levantamos o cobertor e levantando a cabeça sua mente parece estar parada, enquanto se tem um dia inteiro pela frente, só se está na sua cabeça, lembranças, pensamentos, uma dor quieta e conformada, calada.

Tem horas assim que algumas coisas fazem a gente se perguntar, como? Algumas coisas que você olha pra trás e percebe que não vai voltar mais, que pareceu ser tudo em vão, mas que você sabe que não foi, é óbvio que não, nada é em vão, tudo te acrescenta, entretanto a sua cabeça não amadurece conforme o seu coração amadurece. Você tem total consciência de tudo o que deve fazer, mas o seu coração não é tão maduro quanto sua cabeça, são duas partes que devem evoluir separadamente, e quando um é mais evoluído que o outro, tende-se a sofrer, e é complicado.

Acho que entendi porque sempre gostei de ser criança. Eu gostei e gosto, por causa da inocência, do descobrir, das primeiras vezes, eu gosto desse negócio de ser o primeiro, de ainda estar no começo. Mas mesmo passando a fase de criança, surgem novas coisas, mas algumas são tão boas, que te deixam triste de saber que aquela inocência, aquela pureza que você a tratava agora se perdeu, um exemplo seria o amor. Quando você dá o seu amor, inocente, com fé, ele é puro, é doado, é verdadeiro, ele atravessa pontes com a firmeza dos pés, veloz, ignorando os demais ao lado atravessando-as na ponta dos pés, com cautela, calma, cuidado. Você olha pro lado e acha que está certo, mas quando a ponte se parte, você cai e está lá no corrego, na beira, molhado e olhando pra cima, faz todo o sentido as pessoas estarem andando na ponta dos pés.

Pronto, agora quando você se reerguer e for atravessar novas pontes, não andará mais com tanta firmeza, vai demorar, vai acabar esperando uma ponte mais larga, do que firmar os pés em uma estreita, e o esperar as vezes é bastante demorado. Então é nesse momento que você vai sentir saudades de quando era uma criança inocente, que flutuava ao lado dos que andavam seguros, você vai se perguntar o porquê, mas vai entender e se conformar, que as coisas são assim, que nem sempre o querer é poder, que nem tudo depende só de você, que o mundo constrói as pessoas pra sobreviverem e não viverem, que elas vão quase sempre preferir as pontes mais largas, vai continuar andando por aí, e sua inocência vai acabando aos poucos.