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domingo, 13 de dezembro de 2009

Querer não é poder.


"Cada ser humano vem sozinho ao mundo, atravessa pela vida como uma pessoa separada e morre finalmente sozinho. As fases de passagem pela vida física e para além dela trazem muitas experiências, onde tudo é passageiro e impermanente. As situações, os encontros e os fatos da vida surgem, permanecem por algum tempo e se vão."
Elaine Lilli Fong

Grande fato irremediável esse de acabarmos por nossa conta. É como enganar algo inalcançável ou parecido, é como apenas alargar um círculo, mas não quebrá-lo. Mesmo sendo irremediável, eu suponho que de vez em quando, assim esporadicamente, seja bom alguém carregar o escudo por você, porque o peso da armadura tão surrada às vezes fica pesado demais.

Porém como tantas vezes já se foi dito, vivido e constatado, querer não significa poder, e é aí que a incapacidade de continuar se encontra. Os olhos se abaixam, a feição encarece, as costas doem e a chuva não parece mais uma brisa, parecem centenas de canivetes de gelo que te cortam ao meio e te deixam só, como um lobo uivante à lua.

Então, já com a consciência de que a solidão é um remédio que teremos sempre que tomar, acaba se despertando uma vontade de querer fazer de você mesmo a companhia completa. E mais uma vez com a cabeça encostada na parede, percebe-se que querer não significa poder. Talvez então surja o pensamento de que esse escudo lhe merece, então tudo bem, quem sabe quando alguém irá acreditar em um mendigo? Quem sabe quando alguém irá lhe jogar uma moeda? Quem sabe quando? Você apenas espera que seja em breve.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Sentir.

Queria poder me descansar sobre as pedras de um lago.
O céu estaria nublado e estaria sempre prestes a chover
Com meus pés elevados apontando para o infinito cinza azulado
Um pouco de vento que balançaria os meus fios de cabelos.

Eu poderia sentir o cheiro da comida estando quase pronta
Cheirava a algo como café, café fresco, com cheiro de creme
Ouvindo uma melodia que ecoava longe, uma melodia natural
Cantavam-se alguns la-la-las enquanto minha cabeça descansava.

Então eu estaria voando, voando como todo mundo
Estaria em paz, sem todos esses desenhos em mim
Sem todas essas marcas penetradas, apenas com a minha pele
Estaria com os olhos fechados, não enxergaria mais nada.

Depois de passar algum tempo, choveria, choveria forte.
Eu correria entre a estrada onde as árvores eram altas demais
Tudo era muito verde, eu não via a hora de te encontrar
Então eu te via, na nossa casa de vidro e madeira.

Você segurava o café enquanto eu, bem.. eu segurava meu coração
Na esperança misturada com medo de ele não caber mais em mim, de tanto amor.